Se você ou alguém da sua família foi informado que pode precisar de uma prótese de joelho, é normal ficar cheio de dúvidas. A cirurgia assusta — e o que acontece depois, mais ainda. Neste artigo, explicamos em linguagem simples quem realmente precisa da cirurgia, o que acontece no procedimento e o que esperar na recuperação.
Quem realmente precisa de prótese de joelho?
A cirurgia é indicada para pessoas com artrose grave no joelho — aquela em que a cartilagem que protege os ossos foi tão destruída que o paciente sente dor em qualquer movimento e tem dificuldade de andar, sentar e levantar. Mas não é qualquer artrose que leva à cirurgia.
A artrose é classificada de grau 1 a 4. No grau 1 é leve; no grau 4, os ossos já estão quase se tocando e o joelho pode estar visivelmente torto para dentro ou para fora. Normalmente, a cirurgia só é considerada a partir do grau 3 ou 4 — e mesmo assim, somente quando o tratamento sem cirurgia não funcionou.
Antes de pensar em cirurgia, a maioria dos pacientes passa por fisioterapia, fortalecimento muscular, perda de peso e ajustes nos hábitos do dia a dia. Apenas quem não respondeu a essas abordagens é candidato à prótese. Muitos pacientes com artrose grau 3 vivem bem sem operar.
O perfil mais comum de quem chega à cirurgia: pessoa acima de 65 anos, com artrose avançada, que já tentou fisioterapia e outros tratamentos por meses ou anos sem melhora suficiente.
O que acontece na cirurgia?
O cirurgião remove as superfícies desgastadas dos ossos do joelho e coloca no lugar componentes de metal e plástico que imitam o movimento normal da articulação. A cirurgia é feita com um corte na parte da frente do joelho — por isso a cicatriz fica bem na frente, e ela vai influenciar muito a recuperação.
Existem diferentes tipos de prótese, dependendo de quantas partes do joelho foram afetadas pela artrose:
| Tipo | O que substitui | Quando é usada |
|---|---|---|
| Unicompartimental | Só uma parte do joelho | Artrose localizada em um compartimento |
| Total (tricompartimental) | Toda a superfície articular | Artrose generalizada — a mais comum |
| Osteotomia | Não substitui — corrige o alinhamento do osso | Pacientes jovens, para adiar a prótese total |
A maioria dos cirurgiões prefere esperar até os 65 anos para operar, justamente para que a prótese total dure o máximo possível — em média 12 a 18 anos. Quem opera com 55 anos provavelmente precisará de uma segunda cirurgia décadas depois, que é muito mais complicada.
Como são os primeiros dias após a cirurgia?
Ao contrário do que muitos imaginam, o joelho pode receber o peso do corpo já no primeiro dia após a cirurgia. A prótese é fixada com cimento cirúrgico que endurece imediatamente, então não há motivo para proteger a carga. O paciente sai do hospital com andador — mas é pela dor e para evitar quedas, não porque o joelho não aguenta.
O que mais importa nos primeiros dias:
- Manter o joelho esticado quando estiver deitado. Nunca colocar travesseiro sob o joelho — o apoio vai embaixo do pé, deixando a perna reta.
- Fazer movimentos de "bombear o pé" para cima e para baixo, para melhorar a circulação e evitar inchaço.
- Começar a fisioterapia o mais rápido possível — idealmente já no dia seguinte à cirurgia.
Dor forte e repentina na panturrilha (pode indicar trombose), febre acima de 38°C, vermelhidão ou líquido na cicatriz. Em caso de dúvida, procure o hospital ou cirurgião imediatamente — esses dois problemas (trombose e infecção) são as complicações mais sérias da cirurgia.
Por que a fisioterapia começa tão cedo — e é tão importante?
O joelho tem uma tendência muito forte de endurecer após a cirurgia. A cicatriz interna que se forma na frente do joelho (onde foi feita a incisão) pode limitar o movimento de forma permanente se o paciente não for mobilizado rapidamente. Perder a mobilidade do joelho é a complicação mais comum da prótese — e é evitável com fisioterapia precoce e constante.
O grande objetivo das primeiras semanas é conseguir dobrar o joelho até 95°. Parece pouco, mas é o suficiente para pedalar numa bicicleta ergométrica — e a bicicleta é o exercício mais completo nessa fase: reduz o inchaço, lubrifica a articulação, fortalece a musculatura e melhora a circulação, sem impacto no joelho.
Se o paciente fica com o joelho levemente dobrado por dias seguidos, pode perder a capacidade de esticar a perna completamente. Isso é muito difícil de recuperar depois. A perna deve ser mantida esticada (em extensão total) quando estiver deitado — desde o primeiro dia.
A fase de fortalecimento e o retorno às atividades
Após as primeiras semanas, quando o inchaço reduz e a mobilidade aumenta, a fisioterapia evolui para trabalhar a força. O músculo que mais enfraquece após a cirurgia é o quadríceps — a musculatura da frente da coxa. Recuperá-lo é essencial para andar bem, subir escadas e ter estabilidade.
Os glúteos e panturrilhas também são trabalhados intensamente, porque ajudam a tirar carga do joelho e melhoram o equilíbrio. Com o tempo, os exercícios evoluem para agachamentos, subidas de degrau, mudanças de direção e atividades mais próximas do dia a dia.
O tempo mínimo de reabilitação é de 3 a 4 meses. Após esse período, a maioria das pessoas consegue retornar às atividades leves com independência. O resultado final — sem dor significativa — costuma ser consolidado entre 6 e 12 meses após a cirurgia.
O resultado é garantido?
Não. A prótese de joelho tem resultados menos previsíveis do que, por exemplo, a prótese de quadril. Alguns pacientes terminam a cirurgia aliviados; outros relatam que ainda sentem dor parecida com a de antes. O edema (inchaço) e a dor residual nos primeiros meses são comuns e fazem parte do processo.
Por isso o preparo é tão importante: quanto melhor for a musculatura antes da cirurgia, mais fácil e mais rápida tende a ser a recuperação. E a fisioterapia intensiva no pós-operatório faz toda a diferença no resultado final.
Está com dor no joelho que limita sua vida?
O primeiro passo é uma avaliação fisioterapêutica. Muitos pacientes evitam ou adiam a cirurgia com o tratamento certo. Agende sua consulta.
Agendar avaliação pelo WhatsApp